Eu disse “não dou”
Ocê dise “dá!”
Rancô da minha mão,
me deu puxão,
me mando pastá!
Besta zabiranga!
Roubo minh’aliança
Pra se incachaçá!
Chegô nu buteco
Vendeu um peixe e dois marreco
Pra conta acertá.
Foi nu homi du bicho
Vendeu meu mimo de casório
Por um conto e duas ficha de bilha!
Filho duma parrera dus inferno!
Gasto o conto incheno a cara no bar!
Veio pra casa cambaleando que nem bambolê
Cum meia pinga imbaxo du suvaco
“- Dromi na rua disgraçado!”
Drumiu im riba do teiado
Acordo c’os calo tudo judiado
Veio bateno na porta sussurrando “ô muié”
“tú trocô minh’aliança por um migué
Agora come c’os pato se quisé
E vê se caminhão move á pinga
Pru que num tem gasolina
Ocê vai tê que i á pé!”
O tranquera ando inté o sol rachá!
Ando tanto que teve insolação, disintiria e vomitação
e eu qui tivi que cuidá!
Puis pra drumi c’os pato
I ele ficô traumatizado
De tanto escutá “quá” e vê eles cagá”
I é bom que eu ripito:
“Num vai incachaçá?”
Tassiana Frank