(Continuação de Bouquet)

     Cecilia ia jantar com Juca então saiu do trabalho e passou em casa para se arrumar. Quando chegou, encontrou o bouquet. Ela achou curioso. Aquela hora, quase tudo estava fechado. Objetiva como sempre fora, decidiu ligar e perguntar:

     — Juca? você me mandou flores? Não? Ah, devem ser pra Catarina. O entregador deve ter confundido o apartamento. Daqui a meia-hora eu chego. Beijo.

     Enquanto falava ao celular, olhava atentamente para o bouquet. Mas não com aquele entusiasmo, com aquele desejo como Catarina o fitava. Era um olhar curioso. Mas pelo cartão do que pelo presente em si. Mas quando soube que não era seu, caminhou até a porta da vizinha e deixou em seu tapete com um bilhete dizendo: ” acho que é seu. O entregador deve ter confundido o endereço. Cecilia.” Assim deixou o corredor, entrou em sua casa e entreteu-se com seus afazeres.

 

     Juca ja estava no restaurante. Mas apos a ligação de Cecillia, não conseguia pensar em outra coisa. Ele não lhe mandara flores, mas alguém havia! E ele ja sabia quem era e porque. Ambos eram advogados, mas ela era muito mais bem sucedida do que ele. Trabalhava no melhor escritorio da cidade e era mais inteligente, mais culta. Estava pra ser promovida, e se isso acontecesse, ia ganhar quase duas vezes o salario dele. Ele não admitia, mas isso lhe incomodava muito. E essa historia das flores, com certeza era pela promoção. “Ela foi promovida, ela foi promovida!” ele pensava.

     Ficou ali estatico repetindo por vezes a mesma frase. Ja estava pensando em como seria. Ela sendo agraciada, pegando os melhores casos do pais e ele ali, vivendo sob a sombra do sucesso da esposa. O cheiro adocicado do perfume da recepcionista, a fadiga do dia, a gravata apertada e o aroma do filé, aumentaram sua ansiedade e lhe lembravam ainda mais o recorrente assunto. Afrouxou o no da gravata, pediu um bom uisque e perdeu-se em meio a essa turbulência.

 

     Cecilia estava saindo de casa. E enquanto descia as escadas pensava se seria um lindo poema o conteudo do cartão. E ficou feliz. L’amour n’est pas comme les fleurs fanent. Fazia cinco anos que ela e Juca haviam se conhecido. Ela havia colocado um lindo vestido, o scarpin preto e o perfume que ele gostava.

     Chegou ao bistrô. E o viu sentado na mesa que ela mais gostava, a que dava vista pro mar. Seus olhos o olhavam calmamente. Ele a olhava com raiva, mas estava linda. Ela foi andando, e apareceram covinhas em seu rosto. Ele foi se levantando da cadeira, e arrumou a gravata. Ela pensava o quanto o amava. E ele pensava se iria deixa-la. Ambos se entreolhavam, cada um com seus pensamentos mudos. E um silêncio se instalou.

(continua…)

Tassiana Frank

Anúncios

Sobre encontroedesencontros

Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

Uma resposta para “

  1. Você quer me matar de curiosidade??? Sua história está provando que os desencontros são muitos de fato. Aguardo o encontro ansiosa!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: