Pausa
   

     A paixão é vicio, precipício atraente, cega, surda, muda, inconseqüente. E tanto é que ela esta lá, ultrapassando os limites do bom senso, deitando o cabelo em um balde de ilusão. Alguns me dirão: Tu és amargo! Não compreendes o brilho dos olhos dela? Sim. Eu compreendo, e por compreender faço essas afirmações. Ora, não pensem que sou daqueles resguardados, surrados de insegurança. Apenas me cansei de utopias. Fui contaminado pelo vírus da razão, pelo senso cruel de realidade. Já não construo mais meus castelos na areia. Já não deixo enfeitiçar-me pelo canto da sereia. Acho até que por isso, venho me sentido tão vazio. Mas, não. Não vestirei aquela moça com o meu amor. Dela, eu esperaria retorno. E do amor não se espera retorno, ele quer apenas se doar por inteiro. A paixão que é mesquinha, egoísta, imatura. Hoje, sinto que me desprendi das paixões passadas. Resta-me apenas a paixão presente, a paixão constante, pela vida.

     E caminho so. Intensifico minhas descobertas, me embalo pelo tempo atroz, e sem ter com quem dividir, me perco em sorrisos vazios. Escolho liberdade embora nunca tenha desejado tão intimamente prender-me. Sei, sou egoista, mas gosto de ter-me em controle. Não quero me perder nas notas daquela canção, não quero me tornar inseguro e irracional. Gosto do silêncio, sinto-me bem so. Mas a solidão apesar de recorrente, se instalou em mim de uma forma permanente, a sentir-me sozinho dentre multidões. “Insensivel!” Dizem que sou. Posso mascarar meu medo como insensibilidade, e como mitomaniaco acreditar que tal sou. Apenas acovardo-me diante da felicidade de lhe ter e sofrer por ventura perder. Perdi minha condição humana de arriscar-me a amores. Fujo da dor, rumo ao seguro e esquivo de tudo que arrisca a minha estabilidade. Sim, sou covarde! Mas so me julgues se fores liberto de temor! E acredite, a razão acaba quando a paixão inicia. Quem não se sente sozinho por muitas vezes? Procuro involuntariamente olhos que me digam as verdades ruins. So achei os seus. Meus caminhos nos encaminharam como num acaso que beira a destino e não coincidência. Não criarei em vão, artificios para afugenta-la. Seu brilho intenso escarna em minha alma que essa pausa so alimenta o meu vicio por você.

                                                        Tassiana Frank e Luian Damasceno

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Sobre encontroedesencontros

Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

3 Respostas para “

  1. Bela parceria… eu já não temo a solidão.
    ;]

  2. andrearomao

    Adoro textos escritos a quatro mãos!
    Por qualquer motivo me lembra Moulin Rouge…
    O “castelos de areia” continua sendo minha parte preferida!

  3. hupokhondria

    Me lembrei de Camões e sua definição de amor… “Um não-sei-quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei por quê”. Mas se o amor não espera retorno, então o que dói é a paixão… Por isso mesmo é paixão.

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