Amador, o sofredor

     Parecia carma, ou apenas uma penalização pelo o que, ele não fazia idéia… Aquela altura da vida, ja havia se escaldado. Depois de um tempo se acostuma com as desventuras da vida. Quando nasceu prematuro e com seiscentos e noventa e três gramas, ficou três semanas na incubadora e so saiu do hospital aos três meses de vida. Sua mãe queria lhe chamar Vitorio porque afinal, ele saiu vitorioso da odisséia de seu nascimento! Mas seu pai achou um nome muito clichê (e como de fato, era). Toda criança que passava por complicações no parto recebia o mesmo nome, que falta de criatividade! Como era um pessimista amante de Schopenhauer escolheu Amador, aquele que ama à dor.

     Não como uma autotorturação mas sim, como aquele que vê a dor como um obstaculo prestes a ser ultrapassado. Mas os deuses pareciam não entender a filosofia de seu pai e deram a ele a sina de sofrer. Aos dois anos perfurou o baço, aos sete descobriu que possuia dentição dupla, aos nove baixa imunidade e aos quinze daltonismo parcial. Sua infância não fora nada comum. Entre consultorios e hospitais, médicos e laboratorios, achavam um milagre ele ainda estar vivo. Na escola era desprezado por nove entre dez pessoas e em decorrência, aos dezessete se descobriu um sociopata.

     Terminou o ensino médio e decidiu fazer faculdade a distância (quanto menor a convivênvia em sociedade, melhor), escolheu filosofia. Se enterraria em pilhas de livros e em dialéticas teorias até formar a sua propria sintese. Por quatro anos saiu de casa apenas para as provas e aulas presenciais obrigatorias assim, desenvolveu carência de vitamina D que levou ao diagnostico de osteoporose.

     Concluiu o curso, não foi a sua formatura e agora, era hora de arranjar um emprego. Formulou algumas teses, escreveu um livro. Mas não foi aceito por nenhuma editora. Todos alegavam o mesmo erro, era “vazio”. Explicar o vazio do trabalho de Amador era simples. Ele sempre se esforçou e estudou à fundo a natureza humana, mas não a conhecia. Não podia dizer nem da solidadão afinal, estava até hoje ali preso ao unico elo que escapara a sua sociopatia: seus pais. E essa nova descoberta o levou à depressão.

     Diagnosticos eram frequentes e receitas médicas também, mas dessa vez a recomendação foi outra. Caminhadas, ar puro. Conviver com pessoas diferentes, enxergar o mundo real. Como era isso mesmo? Ele não se lembrava mais e também não queria. Se acostumara aquela vida. Em sua primeira caminhada foi ao parque e fez uma respectiva da sua vida. Se viu como um fardo para seus pais e sabia que fora eles, ninguém lhe amaria nessa vida. Pensou em tudo. Em se isolar, roleta russa, fugir do pais ou se jogar da ponte. Não havia mais sentido. Alias, nunca teve.

     Depois da primeira volta, decidiu parar e sentar-se um pouco. Ao recostar-se no banco, se viu olhando para uma menininha que à uma certa distância fazia um castelo de areia. Quando terminou, olhou em volta e viu aflita que so possuia uma boneca. Foi correndo pelos brinquedos e pediu emprestado a um menino que brincava com seus bonecos (aqueles lutadores fortões, um batman e dois superhomens) um emprestado. Ele perguntou “porque?” e disse que o seu super boneco não combinava com a barbiezinha dela. Ela pretenciosa abaixou e disse que não importava a fôrma, so não queria viver sozinha…

                                                                                    Tassiana Frank

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Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

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