Abismo

foto: Diego Casanova

      Como que aprisionada por um elo invisivel, o eco dos sonhos nunca existidos veio tocar seus ouvidos e encharcar o coração. Caminhava entre as ruinas de um mundo perdido na dor e a as cores que antes ali habitavam, hoje se transformaram em palidez de medo, crescente solidão. Vida vazia que se acostumura com a pobreza do ser que se viu sozinho e assim, se prontificou a ser. Não havia mais sinestesias, nem coragem, nem lascivia. Os dias eram noite e a noite, não mais que a escuridão.

     Causava arrepios a nostalgia da dor que se transformou em silêncio e ressentimento. Não sabia como desmembrar a cela da prisão que ela mesma cavara para si. Desatar as correntes do tempo, encontrar na inconstância do vento o que a fizera débil, o que a pôs ali. Dar cor ao mundo, caminhar num jardim. Descobrir que desarmônico céu as nuvens constroem ao redor de si e enxegar naquela auto-viagem o que dentro aprisionou todas aquelas desventuras em si. Preencher sua alma vazia e retrair as lembranças que invadiram sua mente sem propositos para estarem ali.

     Passos fechados na escuridão esperando a entrada da luz que revela a imensidão.

                                                                                                                                 Tassiana Frank

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Sobre encontroedesencontros

Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

Uma resposta para “

  1. hupokhondria

    Lindo como sempre… Que saudade eu tava daqui…

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