Olhos vazios

     Ela so queria um olhar.

     Sempre viu na calreza de seus olhos um vazio tão grande que mal sabia explicar. Não era ma formação ou uma complicação no parto que podia explicar. Ela nasceu sem olhar. Quando no centro cirurgico os médicos viram aquele bebê, descobriram nela algo diferente: não havia cor no seu globo ocular. Era tudo branco. Branco como um dia de neblina, vazio como nada e enfastiado como tudo, não havia como diferenciar. Naquele desespero, sua mãe se punha a gritar. Corriam com a menina pra la, voltavam com ela pra ca e nenhuma noticia a familia. Fizeram exames, trouxeram correndo o melhor oftamologista do pais e não descobriram nada, nem sequer uma informação. Seu olho era branco, so isso.

     Quando à mãe o bebê foi entregue, de nada ela se queixou. Olhou pra aquela menininha, cessou suas lagrimas e um beijo lhe lançou. Mas quando entrou a familia, lhe trataram como uma aberração. O pai não aceitava aquela situação. Dizia ser erro médico e ficou tão obcecado com aquela hipotese que sua vida não tinha mais razão. Era de um advogado para outro, de um médico para o outro, cirurgias e até correção. Os primos não queriam brincar com ela, achavam ser contagioso. As tias tentavam, mas não conseguiam disfarçar seu distanciamento.

     Na escola era a mesma coisa. Sua mãe teve dificuldades em achar alguma que a aceitasse e mesmo com todo zelo, não conseguiu impedir a rejeição que no fundo sempre a rondara. Quando passava no corredor, um vão se abria e quando ia ao banheiro ninguém mas ia. Se comprava um lanche na cantina, esse salgado não mas vendia. Ninguém queria pegar a bola depois dela na aula de educação fisica.

     Mas certo dia, veio um menino transferido de uma outra escola. Ele era francês, chamava as professoras de madame e devido ao sotaque, falava “macarron”. So isso bastaria pra causar um alvoroço entre as meninas mas o fato de ser loiro de olhos claros, ajudou também. Dentre aquelas perseguições ele se sentou ao lado dela, a menina mais quieta da sala. Não entendeu porque havia uma carteira sobrando somente ao lado dela e porque a espantosa reação de toda a classe quando ele se sentou. Tamanha estranheza…

     Tentou estabelecer um dialogo, e ela somente balbuciou. Não levantava o rosto por nada, então ele pensou estar incomodando e lhe disse que iria para outro lugar. “Se eu lhe mostrar o meu rosto, você vai embora” ela disse. E curioso, ele falou que também iria se ela não lhe mostrasse. Ela levantou a cabeça e lhe olhou diretamente nos olhos. Ele não foi embora e nem fez menção de espanto. Apenas fitou-a e disse que nunca havia visto um par de olhos tão bonitos como aquele. “São como um dia de paz, um dia sereno.”

     Ela sempre possuiu um olhar, seu mundo sempre foi vazio.

                                                                            Tassiana Frank

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Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

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