Apenas um Riobaldo

     O amor é filme. A gente vê uma veiz so o vê varias e pode chega a nunca vê na vida tamém…Fiquei pensando na tristeza que prensô o peito na labuta do dia. Era mei-dia e o sol castigava a cabeça. Sei la pru quê eu fui capina no bambuzal. A coieita num deu. A seca rasgo o chão de fora à fora de modo que trabaio num tinha não. Eu num carecia de desespero ja que homi sem muié e fio, num carece mo de um prato de cumida pra enchê o bucho. Ma o que tava batendo era solidão. Sempre achei bestera desses pião arruma muié e pô um bando de fio no mundo pra sofrê com a miséria dessa terra mardita. Ma parecia que agora, eu tava cumeçano a intendê…

     Sentei imbaxo da sombra d’arvore, cansado de corta bambu, de ara terra seca, de procura quarque coisa urti que tirasse essa idéia da molera. Fui inrola meu fumo e mordê um ramo de hortelã. Podia vorta pra casa, mas ia fazê o que la? Dona Arminda ia te dexado o prato na porta de casa como todo os dia e eu ia toma banho e durmi como tambem, todo os dia… Ma io tava sem sono, sem cansaço de trabaio. O corpo batia feito pedra e o bucho roncava feito broca quando o dia era pesado, por isso acho inté, que num percebia que vida vazia Deus me deu. Diario de foia em branco. Homi oco, sem fruto pra prova pro mundo o que se assucedeu.

     A miséria da terra juntava mais a restela de gente que se desgraçava todos os dia na igreja pidindo a Deus, que o sol se escondesse uns dia, e que a fonte da vida descesse como milagre sarvando as vida que dependia do trigo e do mio pra da pros fio o alimento de necerssidade e engorda os bichin que num dava leite, que num andava direito de tão magrin que se via os osso das custela.

     E eu intindi que num era burro os pião que punha fio no mundo pra mo de sofrê, era com a esperança de que o mundo ficasse meio e a vida deles pudesse florecê. Era pra soma alegria, dividi o friu da noite, reparti meia duzia de pão e ri daquele que roncava arto durante a oração. Junta os dia, vê crescê a famia e podê conta o seu dia praquele que te esperô. Sabe que na ribeira da porta ta sempre aquele rosto de feicidade e aquele abraço quentin, feliz pru quê ocê vortô.

                                                                         Tassiana Frank

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Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

2 Respostas para “

  1. doce triste sabedoria desse Riobaldo.
    me senti a sensação dele como que fosse teatro…

    e num é pra ser?

    beijo

  2. hupokhondria

    Sábia sabedoria…

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