Migalhas de Amor

     Sentada a beira da calçada ela pensa se seria diferente. Hoje caminha so, e pensando bem antes também era assim. Seus olhos grandes cujo brilho não ha mais, transparecem a dor da solidão. Seus cabelos desgrenhados não por ter se despenteado, mas por não ter motivos para pentea-los dizem que vontade ja não ha ali. Seus ombros curvados, como se nada lhe pudesse supreender e sua mania de maldizer a vida que nada tem a lhe oferecer.

     Sempre fora do tipo falante, que não mede palavras. Gostasse dela assim ou não gostasse. Gênio dificil, intransigente, com uma reposta rispida pra qualquer pergunta ou até mesmo para um simpatico: “bom dia. ” Daquelas que dificilmente se imagina casada, que se tem medo de puxar papo e que se alivia quando por milagre ela resolve abrir um sorriso.

     Amarga. O tempo lhe fez amarga. A vida lhe deixou assim ou foi falta de coragem? Haviam respostas. Se apaixonou um dia e para esse amor, disse um sim. Ele era dois anos mais velho, estava se formando e tinha uma namorada. Sempre lhe tratara com repeito e se dizia apaixonado por ela, mas deixara bem claro que não tinha intenção de largar a fulana. No começo, tudo ia bem. Eles se encontravam la pelas duas da manhã, ele ia embora as sete tomar café com a tal e ela ia dormir.

     Saia com suas amigas, ficava com outros caras quando queria sem ter que dar satisfação, sem ter quem lhe dizesse aonde ir. Mas o tempo foi passando, passaram a se ver mais vezes em horarios mais malucos e em encontros com menor duração. Ela ja não ficava mais com outros caras, não sentia vontade. Sentava-se ao lado do telefone e fumando um cigarro, esperava que ele ligasse.

     Lhe incomodava agora o fato de dividi-lo com alguém. Lhe doia pensar que ele estava com ela agora, naquele momento. Queria exclusividade, queria que fosse seu. Mas tinha medo. Medo de pressiona-lo, pois sabia que não largaria a outra.

O tempo continuou passando, e os encontros diminuindo. Passou o dia dos namorados sozinha, o natal e o ano novo vendo tv. Começou a fumar mais. Canalizava toda a sua raiva, sua solidão no cigarro.

     Ele noivou, a namorada estava gravida e iam se casar dali a dois meses. Ela engoliu em seco e assentiu com a cabeça. Deu lhe parabéns e pediu para que passasse pelo menos uma vez por mês ali, para vê-la. Estaria ali esperando sempre, de coração aberto e sorriso largo.

     De uma vez no mês, para uma por semestre. Fora transferido para outro estado, e quando vinha ver a familia, dava uma buzinada em frente ao seu prédio. Era o maximo que podia visto estar com mulher e filhos. E ela esperava. Sabia que aquela era a buzina dele.

     Hoje na calçada, pensa… Engoliu seus desejos, reprimiu suas vontades e se contentou com o pouco. Com o que não se pode contentar. Se tivesse perdido o pudor ou pecado pelo excesso de atitudes, estaria ali, amarga? Se tivesse visto seu valor, buscado intensidade e um reciproco amor, estaria sozinha? Não se vive de metades, não se contenta com migalhas de amor.

                                                                                         Tassiana Frank

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Sobre encontroedesencontros

Alguém que por meros devaneios de sua mente louca, sentiu vontade de dizer alguma coisa...

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